Escritores do Brasil

Todos, num só lugar


A VIDRAÇA
(Prosa Poética)



Sá de Freitas





O sol com o seu lenço brilhante,

Enxugava as últimas lágrimas da noite,

Que escorriam pela vidraça do meu escritório.



Afastei as cortinas, observei a rua.



Pessoas vinham e pessoas iam pela calçada,

Sem olhar umas para as outras,

Como se caminhassem sozinhas numa selva,

Ainda não deflorada pela civilização.

Cada qual com a sua cruz,

Cada uma seguindo o seu destino.



Na profundeza do vulcão de cada mente,

Por certo borbulhavam lavas de sofrimentos,

De desgostos, de desilusões e de amor frustrado.

Com certeza espalhavam-se enxofres de desempregos,

De miséria extrema e dívidas acumuladas.

O coração de alguns talvez estivesse doendo,

Pela conscientização da falta de socorro

Às crianças que são mortas, que passam fome,

Que são estupradas e espancadas por animais

Apelidados de pais ou de padrastos;

Pela conclusão de que pessoas, jovens ou idosas,

Encontram a morte nas portas dos Hospitais,

Por falta de atendimento.

Essas conclusões ou mais, provavelmente entrariam em erupção,

Ao primeiro abalo no solo do lar.





Mais vagaroso, porém, um senhor, etiquetado pelos anos,

Olhava para as poucas árvores,

Que os "os racionais" pouparam... e sorria feliz .

Cumprimentava alegre aqueles com quem se cruzava,

Mas recebia de alguns apenas um frio aceno de cabeça.

Contudo, era um “velho jovem” que tinha esperança

Em um futuro melhor, porque lutava por ele.



Minutos depois, passou uma jovem linda,

Mas cabisbaixa, a olhar para o chão,

Temendo namorar as alturas...

Era uma “jovem velha” que temia a própria existência,

Por ter se acomodado, aceitando tudo

Do jeito que está.



E eu?

Apenas um poeta que olhava os transeuntes

Pela vidraça do escritório,

Pretendendo entender o mundo, pela vidraça da vida,

E depois escrever isso,

Para que as pessoas lutem contra

Os "por issos" de toda essa Babilônia.



=

(Samuel Freitas de Oliveira)

Avaré - SP

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VANILDO RIBEIRO SCHAVINSKI Comentário de VANILDO RIBEIRO SCHAVINSKI em 21 setembro 2009 às 17:11
Muito bom meu caro Samuel. Gostei muito; com ele dizes das mazelas que enfrentamos no dia-adia. Os poetas devem dizer o que os leitores gostariam de dizer. Somos iluminados em poder,com nossos, poemas, embelezar o mundo tão cheio de preconceitos e desigualdades. uma abraço do Schavis.

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